O que h� de errado com prote��o de conte�do
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in January 2001
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Portuguese
by Eduardo Marcel Ma�an <macan(at)colband.com.br>.
To: cryptography@c2.net
Cc: Ron Rivest <rivest@theory.lcs.mit.edu>, gnu@toad.com
Subject: What's Wrong With Content Protection
Date: Thu, 18 Jan 2001 17:06:07 -0800
From: John Gilmore <gnu@toad.com>
Ron Rivest me perguntou:
> Eu acho que seria iluminador ouvir a sua vis�o quanto �s
> diferen�as entre as propostas de prote��o de conte�do da Intel/IBM
> e as pr�ticas existentes para a prote��o de conte�do no dom�nio da
> TV codificada. A posi��o de advogado do diabo contra sua posi��o
> seria: se o consumidor est� disposto a comprar equipamento extra ou
> especial que o permita assistir a conte�do protegido, o que h� de
> errado com isso?
N�o h� nada errado em permitir pessoas de opcionalmente escolherem comprar
produtos de/com prote��o de c�pia que elas gostem.
O que � errado � quando pessoas que gostariam de produtos que simplesmente
gravam bits, ou �udio, ou v�deo, sem nenhuma prote��o de c�pia, n�o conseguem
encontrar um, porque eles foram conduzidos para fora do mercado, por leis
restritivas como o "Audio Home Recording Act" que matou o mercado de DAT. Por
leis de "anti-circunven��o" como o "Digital Millenium
Copuright Act", que a EFF est� agora litigando. Por a��es de ag�ncias federais
, como a FCC decidindo um m�s atr�s que ser� ilegal oferecer aos cidad�os
a capacidade de gravar programas de HDTV, mesmo se os cidad�os t�m o direito
legal para tanto. Por acordos privados entre grandes companias, tais como o
SDMI e o CPRM (este �ltimo acabando sendo "submetido" como fait acompli para
creditados comit�s de padroniza��o, requerendo um esfor�o do p�blico afetado
para impedir sua ado��o). Por acordos privados por detr�s das leis e padr�es,
como o acordo informal que gravadores DAT e MiniDisc tratar�o entradas
anal�gicas como se elas contivessem materiais protegidos contra c�pia sobre
os quais o usu�rio n�o tem direito. (Minha grava��o do casamento do meu
irm�o � imposs�vel de ser copiado, porque os gravadores de MiniDisc agem
como se eu e meu irm�o n�o detiv�ssemos os direitos de c�pia dela).
A Pioneer New Media Technologies, que constr�i os rec�m anunciados drives
gravadores de DVD para a Apple, diz "As maiores aplica��es do consumidor
para o DVD grav�vel ser�o a edi��o e armazenamento de filmes e fotos
digitais caseiros". Eles cuidadosamente n�o dizem "mudar programas de TV
de hor�rio, ou grava��o de v�deos exibidos via Internet", porque os
fabricantes e as companias de distribui��o est�o de conchavos para se
certificarem que esta capacidade NUNCA ATINJA O MERCADO. Muito embora seja
100% legal faz�-lo, sob a decis�o da Suprema Corte sobre o _Betamax_.
Streambox fez software que permitia a pessoas gravar difus�es em
RealVideo nos seus discos r�gidos; eles foram processados pela Real sob o
DMCA, e o tiraram do mercado. De acordo com a Nomura Securities, vendas de
gravadores de DVD ir�o exceder as vendas de v�deo cassete em 2004 ou 2005,
e tamb�m exceder�o as vendas de aparelhos para apenas reprodu��o de DVD
por volta de 2005. (http://www.kipinet.com/tdb/1000/10tdb04.htm)
Ent�o por volta de 2010, poucos consumidores ter�o acesso a um gravador que
os permitir� gravar uma c�pia de um programa de TV, ou retardar seu hor�rio
de exibi��o, ou permitir �s crian�as assist�-lo no banco de tr�s do carro.
Algu�m est� comentando esta mudan�a de paradigma social? N�s pensamos que
isto � bom ou mal? Ouvimos qualquer opini�o a respeito disso?
Ao inv�s, consumidores ter�o que pagar companias de cinema/TV indefinidamente
pelo privil�gio de retardar uma exibi��o, ou visualiza��o em outro lugar.
Mesmo se eles compraram o filme, e ele est� armazenado em casa, eu seu
pr�prio equipamente, e eles t�m acesso de banda larga at� ele de onde quer
que eles estejam. Este conceito � chamamdo "pagar pelo uso". Ele n�o pode
competir com "Voc� tem o direito de gravar uma c�pia do que voc� tem o
direito de ver". Estas companias n�o podem eliminar este direito legalmente,
ent�o elas est�o restringindo a tecnologia de modo que voc� n�o possa EXERCER
este direito. No processo eles EST�O violando os fundamentos sobre os quais
uma socidedade est�vel e justa est� baseada. Mas supondo que a sociedade
venha a sobreviver depois de suas mortes, eles n�o parecem se importar
com sua estabilidade a longo prazo.
O que � errado � quando companias que fazem produtos de prote��o de c�pia
n�o divulgam estas restri��es aos consumidores. Como as recentes e alegres
p�ginas web da Apple sobre seu novo drive gravador de DVD, anunciado neste
m�s; (http://www.apple.com/idvd/). Ela est� cheia de informa��es vistosas
sobre como voc� pode escrever DVDs baseados em suas pr�prias grava��es
de v�deo digital, etc. O que ela discretamente se nega a dizer � que voc� n�o
pode us�-lo para retardar a exibi��o ou gravar qualquer �udio ou v�deo sobre
o qual as grandes companias tenham direito de c�pia. Mesmo se voc� tem o
direito legal de faz�-lo a tecnologia o impedir�. Eles n�o dizem que voc�
n�o poder� us�-lo para misturar e ajustar trilhas em v�deo de diversos
artistas, do modo que seu gravador de CD consegue. Ela n�o diz que voc�
n�o pode proteger contra c�pia OS SEUS PR�PRIOS DISCOS que ele grava;
este � um direito que os grandes fabricantes reservaram para eles pr�prios.
Eles n�o est�o vendendo para voc� um drive para autoria de DVD, que �
destinado apenas para "uso profissional". Eles est�o vendendo pra voc� um
drive para DVDs gen�rico, que n�o pode gravar os blocos chave necess�rios para
proteger contra c�pia as suas pr�prias grava��es, nem que um disco DVD-gen�rico
n�o pode ser usado como master para imprimir seus pr�prios DVDs em quantidade.
Estas distin��es s�o sequer mencionadas; elas s�o simplesmente ignoradas,
invis�veis at� que voc� compre o produto.
N�o � apenas a Apple que est� mal-influenciando o consumidor; � epid�mico.
Os gravadores port�teis de MiniDisc da Sony s� v�m com ENTRADAS digitais,
nunca SA�DAS digitais. O som entra -- mas s� sai em formatos anal�gicos de
baixa qualidade. A Intel faz campanha sobre as maravilhas d eseu TCPA (
Trusted Computing Platform Architecture - Arquitetura de Plataforma para
Computa��o Confi�vel). Voc� tem que ler entre as linhas para descobrir
que isso existe apenas para espionar como voc� usa seu PC, de modo que
qualquer terceiro atrav�s da internet poder� decidir ou n�o "confiar" em
voc� -- o dono. TCPA n�o � sobre avisar a VOC� se voc� pode confiar em
seu pr�prio PC (por exemplo, se ele tem um v�rus), ele n�o inclui esta
fun��o. Ele existe para relatar a gravadoras se voc� tem instalado qualquer
software que permite que voc� fa�a c�pias de MP3s, ou qualquer software livre
que permita passar por cima de qualquer sistema fraco de prote��o que
a compania de grava��o use. A Intel est� empurrando o HDCP (Prote��o de
Conte�do de Alta Defini��o) que � criptografia r�pida por hardware que
roda somente no cabo entre o computador e seu monitor de v�deo ou de
cristal l�quido. O �nico sinal sendo criptograafdo � aquele que o usu�rio
est� assistindo, ent�o porque � criptografado? Para que o usu�rio n�o
possa gravar o que ele pode ver! Se o cabo for mexido, o chip de v�deo
degrada o sinal para "qualidade de v�deo-cassete anal�gico".
A intel tamb�m est� empurrando SDMI e CPRM (Content Protection for Recordable
Media) que transformaria sua pr�pria m�dia de grava��o (drives, mem�ria
flash , discos zip, etc) em co-conspiradores com as ind�strias
cinematogr�ficas e gravadoras, para negar a voce (o dono do computador e
da m�dia) a habilidade de armazenar coisas nestas m�dias e recuper�-las
depois. Em vez disso alguns dos �tens armazenados s� voltariam com
restri��es encrustradas no software de extra��o -- restri��es que n�o
est�o sob o controle do dono do equipamento, ou da lei, mas s�o for�a de
contrato entre as companias de file/grava��o e os fabricantes do
equipamento/software. Tais como, "voc� n�o pode gravar m�sica com copyright,
em m�dia descriptografada". Ele ir� recusar gravar ou toc�-la, porque tem
uma marca d'�gua mas n�o est� criptografada. Mesmo quando gravando o seu
pr�prio �udio digital novo em folha, os ajustes padr�o para grava��es
anal�gicas s�o que eles nunca podem ser copiados, nem mesmo copiado em
fidelidade maior que CD, e que somente uma c�pia poder� ser feita isso
se porventura a c�pia for autorizada (se as outras restri��es forem de
alguma forma transpostas). A Intel e a IBM n�o dizem essas coisas a voc�;
voc� tem que chegar na p�gina 11 do Documento B-1, "CPPM Compliance Rules
for DVD-Audio" na p�gina 45 do "Interim CPRM/CPPM Adopters Agreement",
dispon�vel somente ap�s voc� preencher quest�es pessoais intrusivas ap�s
seguir o link a partir de http://www.dvdcca.org/4centity/ . Tudo o
que a Intel diz � que CPPM ir� "dar acesso a mais m�sica aos consumidores"
(http://www.intel.com/pressroom/archive/releases/aw032300.htm). Mentir
a seus consumidores para persuadi-los a comprar seus produtos � errado.
O que � errado � quando pesquisadores cient�ficos s�o incapazes de estudar
o assunto ou publicar suas descobertas. Professor Ed Felten de Princeton
estudou os sistemas de "marcas d'�gua" SDMI em algum detalhe, como parte de
um estudo p�blico deliberadamente permitido pelo obscuro comit� SDMI, de
forma que eles poderiam determinar se o p�blico poderia quebrar seus esquemas
escolhidos. (SDMI n�o permitiu que a EFF se juntasse a suas delibera��es,
dizendo que n�s n�o t�nhamos um interesse leg�timo nos procedimentos porque
n�o �ramos uma companhia de m�sica ou um fabricante. N�o h� representantes
de direitos civis ou de consumidor no cons�rcio SDMI.). O pofessor Felten
estava no New York Times semana passada, dizendo que as pessoas do SDMI e
os advogados de Princeton est�o dizendo a ele que ele n�o pode
divulgar seus prometidos detalhes sobre o que h� de errado com esses sistemas
de marcas d'�gua, por causa do Digital Millennium Copyright Act. � Ok dizer
�s companias do SDMI como � f�cil quebrar seu esquema, mas n�o � OK dizer
ao p�blico ou a outros pesquisadores cient�ficos.
O que � errado � quando competidores s�o incapazes de construir dispositivos
ou software que compitam, jogando a favor dos consumidores no mercado livre.
Ao contr�rio, estes dispositivos s�o banidos ou amea�ados, e este software
� consurado e levado para o submundo. Tais como os programas de c�digo fonte
aberto DeCSS e LiViD DVD player. Como DVD players mundialmente que podem
tocar DVDs americanos "Regi�o 1". A EFF gastou mais de um milh�o de d�lares
ano passado na defesa do editor de uma revista de seguran�a, e de um
adolescente noruegu�s das tentativas da ind�stria cinematogr�fica de
t�-los censurados e presos, respectivamente, por publicar e escrever
software competidor que possibilita que DVDs sejam tocados ou copiados
mas n�o seguem os contratos restritivos que os est�dios cinematogr�ficos
impuseram na maioria dos players. Os est�dios cinematogr�ficos gastaram
4 milh�es em processos apenas no caso de Nova York.
Poucos fabricantes, talvez nenhum est� interessado em colocar gravadores
de �udio digitais ordin�rios no mercado -- Voc� v� muitos tocadores de
MP3 mas onde est�o os gravadores de MP3 est�reo? Eles foram amedrontados
para a inexist�ncia pela amea�a de processos. Aqueles que afirmam gravar,
gravam apenas "qualidade de voz, monoaural".
O que � errado � quando os controles que entram em cena para proteger os
direitos reservados sob o copyright s�o usados para outros prop�sitos. N�o
para proteger os direitos existentes, mas para criar novos direitos segundo
a vontade do possuidor do direito de c�pia. Companias cinematogr�ficas
insistiram em um sistema de "codifica��o por regi�o" para DVDs, porque
eles fariam menos dinheiro se filmes em DVD fossem comercializ�veis
mundialmente sob as atuais leis de livre com�rcio. (Eles n�o poderiam
cobrar altos pre�os de ingressos de cinema se o mesmo filme estivesse
simultaneamente dispon�vel em DVDs, e eles n�o poderiam combinar as campanhas
publicit�rias dos cinemas e de DVDs se eles esperassem um tempo longo entre
liber�-lo para os cinemas e para os DVDs). Este sistema resulta na situa��o
onde um consumidor pode comprar legalmente um tocador de DVD, pode comprar
um DVD legalmente e juntar ambos e o filme n�o vai tocar. O usu�rio tem todo
o direito legal de ver o filme, mas ele n�o vai tocar, porque se ele tocasse
a ind�stria cinematogr�fica faria menos dinheiro. Controles similares existem
em DVDs para prevenir as pessoas de avan�ar as propagandas ou os avisos
sem sentido do FBI.
A Microsoft incorporou alguns protocolos deliberadamente incompat�veis no
Windows 2000 de forma que m�quinas Unix competidoras n�o poderiam ser usadas
como servidores DNS em algumas circunst�ncias. A Microsoft liberou uma
especifica��o mas apenas sob um formato de arquivo criptografado que afirmava
requerer que o usu�rio concordasse em n�o usar a informa��o para competir
com eles. Quando algu�m descriptografou a criptografia trivial SEM concordar
com os termos, a Microsoft amea�ou usar o DMCA para processar Slashdot, o
site de not�cias de software livre popular, que publicou os resultados.
(Para nossa sorte, o Slashdot tem uma espinha e disse "v�o adiante,
n�s nos defenderemos do processo" e a Microsoft se acovardou). Copyright
n�o garante o direito a impedir a competi��o, ou a restringir a troca
global -- mas de algum modo a legisla��o que foi posta em cena para proteger
o direito de c�pia est� sendo usada para fazer apenas aquelas coisas.
O que � errado � quando a pol�tica social � criada em por�es cheios de fuma�a
entre executivos de companias de cinema/disco e executivos de companhias
de computa��o, e n�o pela discuss�o p�blica, por legislaturas e por cortes.
a especifica��o CPRM por exemplo, permite um distribuidor de um saco de
bits (que tem acesso ao software com esta capacidade) de decidir que os futuros
recipientes n�o ter�o a permiss�o de fazer c�pias daquele saco de bits.
Ou que duas c�pias s�o permitidas, mas n�o tr�s. Esta pol�tica n�o pode ser
obrigada legalmente, n�o foi criada por lei. A lei diz algo diferente. Mas
a pol�tica ser� for�ada pelo equipamento constru�do por todos os grandes
fabricantes, porque eles ser�o processados pelas ind�stria cinematogr�fica
se eles ousarem construir equipamento interoperante que deixa os consumidores
fazerem TR�S c�pias, ou c�pias limitadas somente por seus direitos legais.
� surpresa que essas pol�ticas de por�o acabem favorecendo aqueles que
estavam na sala, �s custas dos consumidores e do p�blico?
O que � errado � quando o balan�o entre os direitos dos criadores e os
direitos da liberdade de express�o e imprensa s�o perdidos. Porque qualquer
acr�scimo nos direitos dos criadores � um DECR�SCIMO nos direitos do p�blico
� liberdade de express�o e de publica��o. Quando quer que copyrights s�o
extendidos, o dom�nio p�blico encolhe. O direito � cr�tica, o direito de
disputar com a id�ia de "verdade" de outro � ferida. A primeira emenda d�
um direito quase absoluto � publica��o; A cl�usula de Copyright d� um direito
limitado para prevenir a publica��o por outros. Qualquer expans�o do direito
de impedir a publica��o diminui o direito de publicar. Por exemplo, nada
que foi criado ap�s 1910 entrou no dom�nio p�blico, porque � medida
que os anos se passaram, o termo de copyright foi sendo extendido. Mas os
copyrights criados por restri��es tecnol�gicas s�o sequer projetados para
expirar. N�o h� nada nas especifica��es SDMI ou CPRM que diga, "Ap�s
2100 voc� ter� a permiss�o de copiar os filmes de 1910".
O que � errado � que uma min�scula cauda de "prote��o de copyright" est�
abanando o cachorro da comunica��o entre humanos. Como Andy Odlyzko apontou,
(http://www.dtc.umn.edu/~odlyzko/doc/eworld.html, ver "Content is not king"
e "The history of communications and its implications for the Internet"),
"As vendas anuais da ind�stria cinematogr�fica nos Estados Unidos est�o
bem abaixo dos 10 bilh�es de d�lares. A ind�stria de telefonia coleta esta
mesma quantidade cada duas semanas!"
Distorcer a lei e a tecnologia da comunica��o humana e computa��o a fim de
proteger os interesses dos detentores do copyright faz o mundo mais pobre
no geral. Mesmo se n�o violasse pol�ticas fundamentais para a estabilidade
de longo prazo das sociedades, seria a decis�o econ�mica errada.
O que est� errado � que n�s inventamos a tecnologia para eliminar a falta,
mas a estamos jogando fora deliberadamente para beneficiar aqueles que
lucram a partir da falta. N�s agora temos os meios para duplicar qualquer
tipode informa��o que possa ser representada em meio digital de forma
compacta. N�s podemos replic�-la mundialmente, para bilh�es de pessoas, a
custos muito baixos, acess�veis a indiv�duos. Estamos trabalhando duro em
tecnologias que permitir�o outros tipos de recursos serem duplicados
facilmente desta forma, incluindo objetos f�sicos arbitr�rios ("nanotecnologia";
veja http://www.foresight.org). O progresso da ci�ncia, tecnologia e mercados
livres produziram um fim para muitas formas de falta. Uma centena de anos atr�s
mais de 99% dos americanos ainda usava latrinas, e uma a cada dez crian�as
morriam na inf�ncia. Agora at� os americanos mais pobres t�m carros,
televis�o, calor, �gua limpa, valas sanit�rias -- coisas que os milhon�rios
mais ricos de 1900 n�o podiam comprar. Estas tecnologias prometem um fim
para uma necessidade f�sica no futuro pr�ximo.
Dever�amos estar nos regozijando em criar mutuamente um para�so na terra!
Ao inv�s disso aquelas almas que ganham a vida atrav�s de perpetuar a
falta est�o se esgueirando, convencendo co-conspiradores a acorrentar nossa
tecnologia de duplica�ao barata de forma que ela N�O FA�A c�pias -- pelo
menos n�o do tipo de bens que eles querem nos vender. Isto � protecionismo
econ�mico da pior esp�cie -- Tornar mendicante sua pr�pria sociedade para
o benef�cio de uma ind�stria local ineficiente. As companias de grava��o
e cinematogr�ficas s�o cuidadosas em n�o nos mostrar isso, mas � o que
est� acontecendo.
Se em meados de 2030 tivermos inventado um duplicador de mat�ria que ser�
t�o barato quanto copiar um CD hoje, vamos torn�-la fora da lei e lev�-la
para o submundo? De modo que fazendeiros possam ganhar a vida mantendo a
comida cara, de modo que carpinteiros possam ganhar a vida impedindo as
pessoas de terem camas e cadeiras que custariam um d�lar para duplicar,
de modo que construtores n�o sejam reduzidos � pobreza porque uma
casa confort�vel poderia ser duplicada por algumas centenas de d�lares?
Sim, tais desenvolvimentos causariam deslocamentos econ�micos, com certeza.
Mas dever�amos lev�-los ao submundo e manter o mundo empobrecido para salvar
os empregos destas pessoas? E elas se manteriam no submundo ou as vantagens
naturais da tecnologia causariam o "submundo" a rapidamente dominar o
resto da sociedade?
Eu acho que dever�amos abra�ar a era da abund�ncia e descobrirmos como
viver mutuamente nela. Eu acho que dever�amos trabalhar em entender como
as pessoas podem ganhar a vida criando coisas novas e fornecendo servi�os,
ao inv�s de restringir a duplica��o das coisas existentes. Isso � o que
eu pessoalmente passei os �ltimos 10 anos fazendo, fundando uma compania
bem sucedida de suporte a software livre. Esta compania, Cygnus Solutions,
anualmente investe mais de 10 milh�es de d�lares na escrita de software,
distribuindo-o livremente, e deixando qualquer um modific�-lo ou
duplic�-lo. Ela financia isso coletando mais de 25 milh�es de d�lares
de consumidores, que se beneficiam do fato daquele software existir e
ser confi�vel e difundido. A compania � agora parte da Red Hat, Inc -- que
tamb�m ganha a vida aumentando o poder de seus usu�rios sem restringir a
duplica��o de seu trabalho. N�o � coincid�ncia que as comunidades open source,
de software livre e do Linux estejam entre as primeiras a ficar alarmadas com
a prote��o contra c�pias. Elas est�o ativamente ganhando suas vidas ou hobbies
atrav�s da elimina��o da escassez e de aumentar a liberdade nos mercados
de sistemas operacionais e software. Eas v�em o aperfei�oamento real no mundo
que resulta -- e as feias rea��es das for�as monopol�sticas e oligopol�sticas
que estes esfor�os tornam obsoletas.
Converter o mundo todo para operar sem a falta � uma tarefa imensa. Tamanha
mudan�a econ�mica levaria d�cadas para se espalhar atrav�s da economia
mundial, fazendo bilh�es de novos vencedores e perdedores. Seremos extremamente
sortudos se por volta de 2030 estivermos preparados para acabar com a
escassez sem um tumulto social massivo, incluindo rebeli�es, desgaste civil
e guerra mundial. Se devemos encontrar um caminha pac�fico para a era da
abund�ncia, dever�amos come�ar AQUI E AGORA, transformando as ind�strias
nas quais j� eliminamos a falta -- texto, �udio e v�deo. Companias que
n�o possam se adaptar devem desaparecer e ser substitu�das por aquelas que
possam. � medida que estas ind�strias aprendam como existir e prosperar
sem criar escassez artificial, elas fornecer�o modelos e experi�ncia para
outras ind�strias, que sua pr�pria produ��o ineficiente for substitu�da por
duplica��o eficiente daqui h� dez ou quinze anos. Se apoiar n� prote��o de
c�pia iria nos mandar para a dire��o exatamente oposta! Prote��o de c�pia
finge que a lei e algum sapateado em conjunto com com os cart�is
industriais pode manter nossas atuais estruturas econ�micas, � face de um
furac�o de mudan�a tecnol�gica positiva que os est� arrancando do ch�o
e girando-os como as tantas folhas do outono.
Esta pode ser uma discuss�o mais longa do que voc� desejava, Ron, mas como
voc� pode ver, Eu acho que h� uma por��o de coisas erradas na maneira com
a qual tecnologias de prote��o de c�pias est�o sendo forjadas para um
p�blico incauto. Eu gostaria de ouvir de voc� uma discuss�o similar.
Sendo advogado do diabo por um momento, porque deveriam as companias
interessadas ter a permiss�o de alterar o equil�brio das liberdades
fundamentais, arriscando a express�o livre, mercados livre , progresso
cient�rico, direitos de consumidores, estabilidade social, e o fim das
faltas f�sicas e de informa��o? Porque algu�m seria capaz de roubar uma
m�sica? Esta parece ser uma desculpa bastante infundada.
John Gilmore
Electronic Frontier Foundation
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Date: Thu, 18 Jan 2001 21:35:39 -0500
From: Ron Rivest
To: gnu@toad.com
Cc: cryptography@c2.net
Subject: Re: What's Wrong With Content Protection
John --
Grande ensaio... obrigado por responder em tal extens�o!
Eu vou recusar o seu (talvez ret�rico) convite para fornecer um
contra-argumento de advogado do diabo, porque eu n�o sou a pessoa certa para
faz�-lo;
Eu sou liberal demais em minhas pr�prias vis�es para ser um representante
justo do "lado negro". De qualquer forma, eu estava pedindo mais por uma
educa��o (que voc� generosamente forneceu) do que por um argumento.
Tudo de bom,
Ron Rivest
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