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sexta-feira, 15 de julho de 2016

Penumbra


Passados 380 dias de penumbra eu já não sabia mais o que era real, surreal ou ilusão.

Com os olhos entre-abertos, semi-conscientes, minha mente pairava entre mundos indefinidos. Na impetuosa batalha do dia a dia, a entrega de corpo e alma à guerra tornou-se mais relevante do que a causa e seus próprios fins. Lutar por lutar, rechaçando o nada, em um mundo ilusório, perseverando incansavelmente na busca por uma quase inatingível e volátil vitória, ocultando um abismo no espaço.

O ser interior urge pela vida, nas entrelinhas do implacável espaço-tempo, onde a nossa instância só consegue avançar em rumo à entropia. Nessa jornada sem volta somos sucessivamente convidados pelo inconsciente a penetrar em um suposto universo de sonhos e perfeição, contrapondo-se ao medíocre modelo virtual da realidade.

Somos inseridos em uma conjuntura hermética, trancados em celas invisíveis que nos fazem subsistir e sobreviver, alimentados por conta-gotas de pequenos prazeres e inspirações, sempre na expectativa de um futuro idealizado. E assim o tempo passa, a vida passa, e o sistema permanece vivo e nutrido.

Permanecer na penumbra dói menos, mas perde-se a consciência do verdadeiro eu, não linear, insólito, irreverente, criativo, que anseia pela vida.

Para migrar entre mundos é necessário romper as correntes e conectores que nos prendem e programam a mente com regras, dogmas, axiomas e paradigmas, libertando-nos para uma nova perspectiva de existência. A forma e duração deste processo depende de cada um.

A interface entre as duas perspectivas é uma barreira aparentemente impenetrável. É como se um indivíduo em quarto aquecido, protegido de um duro inverno tivesse que mergulhar no lago congelado. Mas cada um tem o seu tempo, ou até mesmo a possibilidade de voltar atrás enquanto for possível.

Findados os tempos de penumbra, resolvi tentar. Do meu jeito, no meu tempo.




“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.” 

“Você nunca sabe que resultados virão da sua ação. Mas se você não fizer nada, não existirão resultados.” 

~Mahatma Gandhi

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sinais


Mar da Noite (pt.1)
Miragens (prev. - pt.8)

Algum tempo se passou. As lembranças do passado recente iam e vinham, mas a sequência do dia a dia me fazia com que procurasse acreditar, ou ao menos me conformar, que esta poderia ser uma forma satisfatória de seguir em frente. Alguns dias achava que sim, outros que não.

Aparentemente poderia parecer que estava em equilíbrio. Quando tenta-se colocar um objeto sobre uma base pontiaguda, um vento um pouco mais forte pode tombá-lo.

Porém pertencemos a um universo dinâmico, fortemente interativo, que se em algum momento abrirmos os olhos iremos perceber uma natureza viva e brilhante ao nosso redor, nos instigando a cada instante a viver intensamente.

Diante de tal situação a tendência é ocorrerem diversas situações de sublimação e catarse para atenuar aquela energia interna, contida, que se não é liberada pode levar à implosão. E assim aquele equilíbrio instável pode ser mantido, pelo menos temporariamente.

Com o passar do tempo vai se tornando mais difícil manter o objeto estável. É necessária uma energia incessante para manter algo que não esteja naturalmente em equilíbrio naquela posição, e isto pode levar à exaustão. Ou o indivíduo passa a viver como uma máquina, em modo automático, esquecendo que está vivo, ou passa a questionar a validade de tudo isso.

Aquelas imagens brilhantes do passado na verdade nunca se apagaram. De tudo que passou pelo menos teria ficado para sempre uma esperança, mesmo que longínqua, de uma nova perspectiva de existência, mesmo que apenas no mundo dos sonhos.

Em uma noite de devaneios voltei a abrir os olhos, o meu coração, e saí por aí sem destino. O céu estava escuro, nublado, com uma lua tímida e poucas estrelas, pequenas, quase sem brilho. Caminhei na direção das pedras onde batia um mar agitado, intenso.

Ao chegar em uma área de pico, diante do mar, na escuridão da noite, fechei os olhos ouvindo o forte som do mar batendo nas pedras. Deixei que a brisa fria refrescasse meu rosto, meu corpo, minha alma.

A escuridão da noite e o mar estavam me transmitindo a energia que tanto precisava naquele momento. De repente senti como se tivesse acordado de uma longa noite de sono, sem sonhos. Eu estava ali, vivo, sentado, mas sem diretrizes.

Abri os olhos. O céu continuava nublado, escuro, mas havia uma nuvem que parecia estar em movimento. Lentamente ela ia deixando transparecer uma área límpida do céu, até surgir bem na minha frente uma linda estrela, singular, que se destacava das demais pelo seu brilho e esplendor.

Fiquei então a observá-la, sem sentir o tempo passar. Aquele brilho ia me tocando cada vez mais forte. De certa forma eu precisava voltar a acreditar e a querer viver, mesmo diante de tantos obstáculos. Eu não conseguia mais parar de olhar para aquela estrela.

A aurora começou a surgir, o brilho da estrela passou a misturar-se com o do sol, até desaparecer na claridade do dia. Mesmo estando oculta, sua imagem me marcou para sempre.

No momento em que eu mais precisava o universo me enviou um sinal, um presente, uma luz. A cada noite que nasce olho para o céu em sua busca. Alguns dias ela está lá, brilhante, aparentemente tão próxima, mas ao mesmo tempo distante. Ainda assim, ela me fez voltar a sonhar.





domingo, 21 de junho de 2015

Carpe Diem

De repente parece que o tempo parou. A poeira se assentou e de certa forma procurei bloquear o forte vento que batia nas janelas para evitar o retorno ao caos.

Na verdade o que é o caos ? As posições relativas dos objetos geram interpretações que diferem de acordo com quem os observa. Para uns pode parecer caótico, enquanto para outros harmonia.

O ser humano é capaz de adaptar-se a contextos desfavoráveis, porém de alguma forma aquilo irá ferí-lo internamente. Tais feridas geram marcas, muitas vezes difíceis de apagar. O nosso maior inimigo é o tempo. Na verdade tudo passa, os bons e maus momentos, a alegria e a tristeza, a possibilidade e vitalidade para realizar aquilo que sonhamos, e enfim, a própria vida.

Viver ou não viver ? Grande parte das pessoas optam por não viver. Tal decisão nem é consciente. Estamos sempre atrelados a diversos aspectos que nos prendem ao contexto em que vivemos. Mudar é sempre algo à princípio muito difícil, principalmente quando afeta pessoas, ou a nossa rotina estabelecida.

Se o indivíduo procurar ouvir ao seu Eu interior, sem preconceitos ou defesas, com total sinceridade para si mesmo, irá começar a compreender a si próprio. Quando a vida parecer que corre no tempo, passando rapidamente diante dos olhos, e de repente olha-se para trás e percebe-se que quase nada ocorreu, significa que ela não foi vivida intensamente como deveria ser.

Embora muitas vezes nem cheguemos a perceber, o universo conspira em nosso favor através de acontecimentos ou estímulos. Temos apenas que acreditar com energia positiva na perspectiva de um futuro melhor. Quando estamos perdidos em um mundo preto e branco ele sempre nos mostra opções. De repente, quando se menos espera pode surgir diante de você algo que traga cores à sua vida. Porém cabe a cada um decidir o seu próprio caminho. Ninguém pode defini-lo por nós mesmos.


~ Carpe Diem! ~


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Shutdown


Truman vivia em um mundo fictício, irrreal, onde todos sabiam a verdade, menos ele. Tudo parecia perfeito, mesmo quando imperfeito, como uma ficção da vida real em um reality show. Até o dia em que Truman resolveu transcender e ampliar o seu horizonte, destruindo o mini mundo de ficção, e começando uma nova vida no mundo "real".

O meio em que o individuo é criado sempre oferece diversos estímulos e perspectivas de caminhos. Ainda assim há sempre a possibilidade de mudar de meio, ou de mundo. Descartar ou considerar velhas ou novas opções, e assim permanecer na sua ficção, ou desbravar novos mundos.

Uma característica intrínseca ao ser humano é a tendência a nunca estar completamente satisfeito com o seu contexto de vida, levando-o sempre a querer algo a mais ou a menos, novidades, mudanças.

Enquanto acreditar e buscar de forma determinada por algo supostamente maior, melhor, ou pelo menos diferente dentro de sua concepção, há energia vital, força interior, fazendo o individuo brilhar por estar vivo.

Porém entregar-se à rotina infinita do dia a dia, cíclica, inabalável, sem a esperança de crescer, evoluir, mudar ou emergir faz com que o brilho se apague e inicie o processo de desligamento, pouco a pouco, até atingir o seu shutdown.

O nosso corpo não pode ser visto como um objeto isolado, mas como membro de uma grande comunidade que habita o planeta. O planeta tem recursos limitados, os quais não devem a princípio ser desperdiçados.

A criação é perfeita no sentido de buscar naturalmente um equilíbrio de seres e recursos. Sendo assim, quando um ser começa a "parar", entregando-se ao nada ou a uma vida vegetativa, o seu corpo também tende a parar pouco a pouco, definhando, do cérebro aos pés, reduzindo o consumo daquilo que não está mais sendo utilizado.

Sempre existe chance para tentar reverter este processo de desligamento natural, mas quanto mais demorar a iniciá-lo mais difícil será a recuperação, assim como aqueles objetos que deixamos de lado tendem a estragar ou enferrujar, e às vezes de forma irreversível.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Poesias - Índice



Poesias escritas até a presente data neste blog:


As Trilhas dos Sonhos

A Viagem

A Chama

Um Novo Caminho

Velho Mundo Novo

Inverno

O Sonho


"Se você treinar para ser uma ficção por algum tempo, compreenderá que os personagens de ficção às vezes são mais reais do que pessoas de carne e osso e corações pulsando."

"Cada pessoa, todos os fatos de sua vida ali estão porque você os pos ali. O que fazer com eles cabe a você resolver."

"Viva de modo a nunca se arrepender se algo que você faça ou diga for publicado pelo mundo afora - mesmo que o que for publicado não seja verdade."

"Não dê as costas a possíveis futuros antes de ter certeza de que não tem nada a aprender com eles. Você está sempre livre para mudar de ideia e escolher um futuro ou um passado diferentes."

"Uma nuvem não sabe por que se move em tal direção e em tal velocidade; sente um impulso... é para este lugar que devo ir agora. mas o céu sabe os motivos e desenhos por trás de todas as nuvens, e você também saberá quando se erguer o suficiente para ver alem dos horizontes."

"Eis aqui um teste para verificar se a sua missão na terra está cumprida; se voce está vivo, não está."

~Ilusões - Richard Bach

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Mar da Noite - Índice


Para os leitores que quiserem ler o romance "Mar da Noite" em sua sequencia correta aqui vão os links dos posts em ordem:







"A vida não é como uma novela ou filme, que tem um final. Enquanto estamos vivos sempre existirá o dia seguinte, no qual tudo poderá mudar completamente." ~Jorg B Jorge

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Reflexões


A verdadeira lição de vida vem daqueles que não vão à igreja, não têm religião, não agem por temores a seres supostamente superiores por medo de receberem punições ou de irem para o inferno, não fazem nada visando salvação, evolução espiritual, ou vaidade, e ainda assim possuem bondade no coração, amor ao próximo e dá as mãos a quem mais precisa sem esperar por algo em troca.

Ninguém tem o direito de dizer o que é certo ou errado para os outros. Cada um que viva a sua vida da forma que achar melhor, independente se seus gostos são politicamente corretos ou não. O importante é viver intensamente e ser feliz.

Se no próprio Gênesis Deus deu ao homem o direito de provar do fruto da árvore da ciência, então nenhum outro homem tem o direito de privar a terceiros de sua liberdade. Se optar por fazer algo que lhe faça mal o problema é apenas dele próprio e não do governo ou de hipócritas que se sentem no direito de julgar ou cercear a liberdade do próximo.

Algumas coisas que ajudam no sentido de não pirar ou não tornar-se uma pessoa amarga, ranzinza, desgastada: Seja sempre criança até o seu último dia de vida.

Quando você não aguentar mais a pressão, desconectar-se seja lá como for pode ajudar - não vale a pena manter sua mente focada em negatividades, nada justifica a sua auto destruição interna.

Mantenha sempre viva a chama que existe dentro de você lutando por algo que realmente importe.


"Um momento de paciência pode evitar um grande desastre; um momento de impaciência pode arruinar toda uma vida. 

Sempre que pensamos em mudar queremos tudo o mais rápido possível. Não tenha pressa pois as pequenas mudanças são as que mais importam. Por isso, não tenha medo de mudar lentamente, tenha medo de ficar parado.

Se você quer um ano de prosperidade, cultive trigo.
Se você quer dez anos de prosperidade, cultive árvores.
Se você quer cem anos de prosperidade, cultive pessoas.

Quando o olho não está bloqueado, o resultado é a visão.
Quando a mente não está bloqueada, o resultado é a sabedoria,

Quando o espírito não está bloqueado, o resultado é o Amor."

~Provérbio Chinês

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Miragens


Mar da Noite (pt.1)
Em Busca da Luz (prev. - pt.7)

O sol reinava nos céus. Seus intensos raios de luz transpassavam as nuvens esparsas e atingiam o solo impiedosamente. O vento batia forte, mas a sensação de calor era extrema.

Caminhava descalço pelas areias do deserto. Estava com fome, sede, respirando com dificuldade devido ao ar abafado. Meu corpo queimava, cansado, mas continuava andando, sem destino, fugindo do marasmo do dia a dia.

O cansaço pedia que sentasse, me hidratasse. Mas não, isso pra mim não era relevante. Na verdade eu não sentia nada, apenas um vazio no meio do vácuo. Estava completamente desconectado do mundo, e de mim mesmo. Minha mente pairava, sem foco. Imagens aleatórias surgiam e desapareciam. Até havia esquecido que estava vivo, e que já estive um dia.

Aquela necessidade de caminhar, seguir em frente, já tinha deixado de ser racional. Era apenas como um instinto inconsciente de sobrevivência inerente a um animal. Por algum motivo eu tinha que prosseguir.

As horas passavam, mas o calor permanecia rasgante, queimando o meu corpo, dilacerando minha alma. As pernas não estavam mais suportando o peso do corpo. Caminhar cada vez se tornava mais árduo. De repente caí no chão. Levantei. Continuei seguindo o caminho, sem trilhas, no meio daquela imensidão de areia. Lentamente permanecia em movimento. Novamente tombei, e levantei. Até que não consegui mais ficar de pé.

Mas isso não era o suficiente para me fazer desistir. Continuei em frente, me arrastando, suado, com areia grudada em todo o corpo.
Por algum tempo ainda segui em frente, até que meus braços travaram e sentei-me de joelhos no chão.

Aquilo parecia ser o fim. Minha visão já estava turva. Olhei ao redor, e nada. Deitei e apaguei. Acordei, e adormeci algumas vezes, imerso no nada.

De repente abri os olhos, a imagem não estava nitida, mas avistei no horizonte um campo verde, florido. Tal imagem parecia ser tão real que me deu um último suspiro para levantar-me. Com alguns vestígios de consciência batendo à minha porta peguei a garrafa d'água que carregava e pinguei as últimas gotas que ainda restavam na boca.

Segui na direção do campo, com ansiedade, sem acreditar muito naquela visão. Em alguns minutos já estava lá. Toquei com os pés aquela grama verde, molhada. Um pouco mais a frente havia um lago azul. Fui até ele e mergulhei. Aquela água gelada refrescando meu corpo quente, queimado, me deu um indescritível prazer. Naquela região tudo estava diferente. O clima mais ameno, úmido, o ar mais fresco, até os raios de sol tornaram-se agradáveis.

Aquelas lindas flores, coloridas, me fizeram voltar a sonhar. A consciência acordou, todo o meu cansaço desapareceu, uma forte energia vital voltou a circular no meu corpo, na minha alma. Logo comecei a refletir sobre a vida...

Pensei que mesmo no núcleo do limbo, da monotonia, pode surgir algo diferente, vibrante, que toque nosso coração fazendo-o voltar a ter razões para bater mais forte, contanto que não deixemos de acreditar. O amor só consegue nos alcançar se estivermos com o coração aberto para recebê-lo. Acreditar e amar nos faz permanecer vivos. Entregar-se a uma vida vazia, repetitiva, dentro de uma rotina diária, sem sentimentos fortes, é desistir de viver.

Acordei.


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Olhar Insano



Mar da Noite (pt.1)
Nossos Momentos (prev. - pt.3)

Aquele beijo encheu nossos corpos de amor e adrenalina. O seu rosto enrubesceu e seu olhar mudou. O que antes parecia suave e singelo de repente tornou-se quente e profundo, como um animal selvagem. Logo senti suas unhas nas minhas costas. Sua respiração estava mais forte, quase ofegante. Da mesma forma que eu a abraçava ela retribuía com força, intensamente.

De repente ela me olhou nos olhos e me surpreendeu novamente. Pela primeira vez ouvi sua voz sussurrando baixinho no meu ouvido: "E agora ?".

Naquele momento senti um arrepio em todo o corpo. Olhei em seus olhos e respondi: "Agora tudo vai ser como tem que ser, sem arrependimento, sem medo". Não me importava o passado nem o futuro, mas aquele era o nosso presente, de hoje, de amanhã, e de quanto tempo tiver que ser vivido, para sempre enquanto durar.

Ela enquanto por um lado sempre havia se entregue completamente a mim, parecia demonstrar um certo medo. Mas o seu desejo era muito mais forte, e ela não era forte o suficiente para resistir. Era a luta do racional contra os seus instintos e desejos. Só que ela não conseguia esconder seus pensamentos e sentimentos de mim. Eu ficava apenas a observando, seus dilemas, sua perplexidade com toda aquela situaçao que surgiu do nada e tocou sua alma.

Para mim era um grande prazer sentí-la, vê-la lutar consigo mesma tentando achar uma sequência racional para lidar com aquela situação. No fundo tanto eu quanto ela já sabíamos o que iria acontecer. Poderíamos procrastinar por dias, ou meses, mas quanto mais demorasse maior seria a vontade, e lutar contra seria inócuo. Ela sabia que corria o risco de sua redoma de vidro quebrar, e seu frágil mundo virar de cabeça para baixo, mas na verdade era exatamente isso o que ela mais queria.




terça-feira, 19 de agosto de 2014

Nossos Momentos



Mar da Noite (pt.1)

Levantei. Estendi-lhe as mãos para que também se levantasse. Ela com cuidado e muito carinho segurou minhas mãos, e levantou-se lentamente. Logo a puxei para meus braços e a abracei. Ela estava gelada, com muito frio. Coloquei-a bem junto de mim para absorver o meu calor. Não conseguia mais parar de olhá-la, seu rosto, delicado, doce, singelo, seu olhar tímido, profundo.

Sua presença era tão forte que me envolvia por completo. Não queria mais soltá-la. Nossas energias se entrelaçavam e se multiplicavam em sinergia.

Resolvi levá-la a caminhar pela areia. A abracei e fomos seguindo o quebra-mar, sem tempo nem destino.

O mar, frio, vai molhando nossos pés. Os passos na areia vão deixando marcas, longínquas, perdidas no tempo, ora vividas, ou já apagadas pelas ondas.

A imagem do horizonte, o mar, aquela manhã de inverno com tímidos raios de sol, mesclados com a magia de nossas energias e sentimentos, tornavam aquele momento fascinante e singular. Era um sonho que não poderia mais terminar.

Até aquele instante ainda não haviamos trocado uma palavra sequer, mas já sentia como se ela fosse minha, e tinha certeza de sua entrega, pelos seu olhar, seus gestos, sua energia e batidas do coração. Estavamos andando praticamente colados, como uma só pessoa, mas havia uma necessidade mútua crescente de querer sempre algo a mais.

Após andarmos por um tempo surgiram mais a frente umas pedras, como um pequeno monte, onde o mar batia incessantemente. Nos aproximamos e começamos a seguir suas trilhas. Sem dizer nada, ela apenas me seguia, sem largar minha mão. Chegamos em um ponto um pouco mais elevado, bem em frente ao mar. As ondas batiam fortes nas pedras, respingando água em todas as direções, e molhando nossas peles, nossas roupas. Naquele momento mesmo com o tempo frio só sentíamos o calor um do outro.

Paramos ali, ficamos olhando o mar e sentindo um ao outro. Coloquei minha mão no seu rosto e percebi que estava frio, todo molhado com a água do mar. Segurei suas duas mãos e a puxei para mim. Olhei no fundo dos seus olhos, sua boca. Encostei meu rosto no dela. Sentia o seu perfume, seu coração batendo cada vez mais forte enquanto a tocava. Seus lábios entreabertos tocavam minha face. Comecei então a beijar o seu rosto, abracei-a bem forte colocando-a totalmente nos meus braços.

A vontade de tê-la de forma cada vez mais intensa ia aumentando, e ela se entregando mais e mais. Sentia seu corpo, seu cheiro, seu coração. Continuei a beijar seu rosto, molhado com a água do mar. Fui me aproximando da sua boca. Queria agora sentir o seu gosto. Ela sempre a minha disposição ia cedendo e se entregando. Encostei meus lábios nos dela, os mordi suavemente, bem devagar. Seu perfume era único. Não dava mais pra resistir. Senti seu gosto doce em um beijo longo e terno. Naquele momento não tinha mais como fugir. Ela era totalmente minha, e eu dela.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um Novo Amanhecer




No momento da despedida, sem palavras, sem promessas, mas ambos já sabiam como deveria ser. Ela já era minha, e nada mais poderia mudar este fato. Ao surgirem os primeiros e tímidos raios de luz cada um seguiu em uma direção. Ela, com os olhos cheios d’água, com o coração cheio, radiante, mas partido, com medo de me perder. Nos olhamos pela última vez, intensamente, fomos nos afastando lentamente, até desaparecermos na penumbra.

Mais um dia se passou. Dormi e acordei. Mas nada mais será como antes. A cor do amanhecer, as primeiras gotas de orvalho, o barulho dos ventos. Aspectos do dia a dia que antes pareciam tão triviais passaram a significar muito mais. As lembranças de ontem continuam fazendo estremecer minha espinha, como um raio que transpassa o corpo até atingir a alma.

Aquela energia contagiante torna-se um vício, mais que isso, uma necessidade biológica. Mas para fechar a harmonia é necessário que os dois polos voltem a se tocar. Ou toda aquela energia irá desvanecer-se no vazio. O desejo de senti-la ao meu lado, seu corpo, seu calor, sua ternura, seu desejo intenso de entregar-se a mim não sai mais da minha mente.

A certeza de que ela estaria em algum lugar, naquele momento, desesperada para estar novamente ao meu lado me dá forças para voltar a procurá-la.

Agora em plena luz do dia, retorno ao lugar onde nos vimos pela última vez. No meio da longa área de areia, ainda gelada, úmida, castigada pela friagem do inverno. Não vejo ninguém por perto. Nenhuma alma perdida. Aquilo me da um leve temor de que aquele sonho teria acabado ali, naquela noite.

Mas sua energia mesmo distante continua a me fitar, intensamente, me avisando que ela estava dentro de mim não apenas naquele momento, mas desde o instante em que partiu. De tempos em tempos ela chega tão forte a ponto de tocar meu coração, fazendo com que bata aceleradamente.

Baixo a cabeça, fixando meus olhos na areia, procurando pelo ponto exato onde estivemos, as marcas de nossos corpos. Mas com todo aquele vento parece que nada mais sobrou, nenhum vestígio no tempo.

Sem saber mais o que fazer fecho os olhos, e respiro fundo. Deixo minha mente viajar no espaço, no tempo, nas nuvens. Sinto fluir aquela energia que em momento algum parou de me fitar. Passo a senti-la cada vez mais forte, e de olhos fechados passo a caminhar em sua direção, como um imã que me puxa lá de longe.

Sempre de olhos fechados vou seguindo o caminho orientado pelos meus instintos. O tempo passa, mas não paro, nem abro os olhos. No meio do tempo, do vento e dos escassos raios de sol, continuo a caminhada. Subitamente começo a sentir seu doce perfume, ainda distante, mas passei a ter certeza que em muito breve iria encontrá-la.

Caminhei um pouco mais na direção daquela essência, e abri os olhos. Logo visualizei aquela imagem linda, incomparável, singular, cabisbaixa, frágil, sentada na areia.

Me aproximei rapidamente, sentei em frente a ela, peguei suas mãos. Olhei para seus olhos. Percebi que ela estava ali sentada desde o instante que a deixei. Seu rosto estava pálido, suas mãos frias, trêmulas, mas seu coração batia forte e muito acelerado. Percebi que começaram a correr lágrimas de seus olhos, de felicidade por eu ter voltado, fato o qual ela jamais deixou de acreditar.


Naquele momento eu entendi absolutamente, que a sua entrega havia sido total, muito mais que eu acreditei no primeiro momento. Ela estava ali, totalmente nas minhas mãos, por completa, para eu cuidar, amá-la e fazê-la feliz para sempre.




quinta-feira, 7 de agosto de 2014

As Trilhas dos Sonhos



Em uma floresta de sonhos,
Caminhei.
Cursando suas trilhas,
aprendi, sorri, chorei.

Vi o nascer do sol,
o brilho das estrelas,
as sombras da noite.
Andei, caí, levantei.

Do amanhecer em longos dias,
ao anoitecer na escuridão,
Adormeci.

O tempo passou, correu, voou.
Pestanejei entre os dias,
no escuro da noite,
decidi acordar.

Afastei as cortinas,
caçando o sol,
esquecido no tempo,
perdido no vento.

Galguei pelas ruas,
reais, repletas, vazias.
Mergulhei no ilusório,
audaz, vasto, profundo.

Pairando nas sombras,
viajei pelos mundos,
buscando o infinito,
tropecei.

Entre quadros e letras,
palavras e frases,
velejei.

Cruzando os mares,
transpondo miragens,
de mitos passados,
encontrei.

Uma luz no horizonte,
de brilho deslumbrante,
palavras tocantes,
parei.

Cheguei, sorri, fugi.
Trocando fantasias,
navegando em sonhos,
iluminei.

Amargando o presente,
sem fé nem esperança,
em um mundo de sonhos,
parti.

Nas idas e vindas,
fugas e voltas,
retornei.

E o brilho no escuro,
acalentando meu mundo,
ressurgiu.

As doces palavras,
de intensa ternura,
perdidas no tempo,
que paravam meu mundo,
renasceram.

No mesmo lugar,
com a mesma emoção,
de extrema afeição.

Invadindo o corpo,
os sonhos, a alma.
Desafiando os medos,
a vida, os rumos.

Na jornada da essência,
quando o tempo não para,
tudo se acaba.

Mas se o coração acende,
marcando um momento,
faça dele o presente,
e esteja vivo para sempre.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A Viagem



Viajando no tempo,
aterrizei num momento,
onde tudo parou.

As árvores formosas,
abraçavam as folhas,
que tombavam no vento,
e voavam no tempo…
Que iam e vinham,
subiam e desciam,
mas nunca caiam.

Os olhos brilhantes,
cheios, vazios,
mirando o espaço,
nas sombras do tempo.
Fitando as cores,
dos olhares cruzados,
travessos, sonhados, roubados.

Revirando o passado,
as poeiras nos ventos,
triste, perdido, sonhado.

Recriando seu mundo,
unindo retalhos,
esquecidos no tempo,
infinito, vazio, profundo.
Pescando alegrias,
trocando palavras,
transpondo universos.

Nas entrelinhas do espaço,
surge um raio,
que faz arder o presente,
vivendo o passado.

O tempo dispara,
a noite se extingue,
mas o raio pulsante,
brilha no escuro.

A energia brota,
cresce,
distante do fim,
gera um impulso.
Em uma brecha de tempo,
surge um momento,
em que os olhos se encaixam,
e trocam as chamas,
que marcam e queimam.

Mas nas trilhas da vida,
foram traçados caminhos,
forjados nas pedras.
Aprisionadas no tempo,
imunes ao vento,
resistentes às chamas.

O dia se acaba,
mas a marca se crava,
nas profundezas da alma.
Na esperança de um dia,
a semente brotar,
crescer, florescer, geminar.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

A Chama



Entre ventos e trovões,
uma chama se acende.
No horizonte perdido,
onde se lança o infinito.

Andei, nadei, voei,
em uma viagem de ida,
o caminho de volta se apaga,
a cada passo adiante.
Cujo destino é a chama,
que me chama.

Quanto mais me aproximo,
mais distante ela fica.
Acelero meus passos,
meu coração, minh'alma,
tentando nela tocar.

Vislumbrando sua imagem longínqua,
pulsando forte,
mas sempre pequena,
profunda, brilhante, singela.

No decorrer da jornada,
de suor, lágrimas e esperança,
em busca daquela luz,
que levará a um novo mundo.

Um universo paralelo,
repleto de cores, água e fogo,
para alegrar a alma,
acalentar o coração,
e acender a chama da vida.


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Um Novo Caminho



Lá fora o sol brilha radiante,
Do lado de dentro apenas uma penumbra,
Uma leve escuridão,
E uma viagem.

As imagens cruzam velozes.
Mas para os olhos parecem surreais.
De tempos em tempos a visão clareia,
Alcançando o real,
E o surreal.

O tempo corre, e não passa.
A busca pelo desconhecido não para,
Sem perguntas ou respostas.
Só sei que sim,
Sem saber o porquê.

E o tempo voa, volta, vai...
Quando entre o real e o surreal,
No meio do nada,
Surge uma imagem.

Um novo caminho,
Obscuro, cheio de espinhos, instigante.
Sem saber como, onde, ou quando,
As marcas que ficarão.

Entre o racional e o irracional,
Medos, riscos e certezas,
A fuga não é uma opção.
É preciso percorrê-lo.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Velho Mundo Novo


Acordei.
Em um velho mundo novo,
O mundo dos sonhos.
Ilusões, alegria e tristeza,
Vasto, cheio, vazio, instigante.

Desacordei.
Sem sonhos, sem metas,
Parei.

Ir ou ficar?
Ir, crescer, sonhar, sorrir, chorar.
Ficar, viver, parar, desaparecer.
Fiquei.

Os sonhos vão, mas vêm.
As ilusões persistem.
As visões me chamam de volta.
Chorei.

Nada mais será como antes.
O desconhecido deve ser explorado,
Novas trilhas desbravadas.
Enfrentando riscos, sem medos, sem traumas, livre.
Voltei.

É preciso acordar mais uma vez.
Acordei.


quinta-feira, 19 de junho de 2014

O Sonho



Flutuando através da correnteza,
Enfrentando as ondas,
Molhado, persistente, dilacerado,
Em curvas, retas e círculos,
Rumo ao horizonte,
Onde a Terra se curva,
Terminam as nuvens cinzentas.

Surge o Sol, o amanhecer.
Raios límpidos fazem o horizonte brilhar,
Rasgando o céu, as nuvens, os ventos,
Aquecendo a alma, fazendo-a sonhar.

Acordando em um novo mundo,
Azul, puro, brilhante,
Iluminado por uma flor,
Singular, dócil, singela,
Onde chegam e partem raios de luz.

Preenchendo o novo mundo,
Criando nele um novo sonho,
Intenso, suave, infinito,
Para sempre, enquanto durar.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Obstáculos


Pairando pelas trilhas marcadas no passado, vou traçando novos caminhos que levam até um futuro. Um futuro que está apenas a um espaço de tempo infinitesimal do presente.

O presente, passado e futuro se fundem em um universo dinâmico. Mesmo o passado, é dinâmico quanto a sua interpretação. Os momentos que já se foram podem ser vistos hoje com uma ótica totalmente diferente da impressão que tivemos até o dia de ontem. Até aqueles fatos que nos marcaram bem forte, mesmo que negativamente, podem ter contribuído para a formação do seu Eu atual, mais vivo e fortalecido, ou não.

A dificuldade maior está sempre em entender a si próprio, exatamente o que sente e onde quer chegar. Mas normalmente a resposta para isso não é nem um pouco trivial. Mesmo que hoje se tenha uma resposta, amanhã já é outro dia, e tudo pode parecer diferente ao acordar. As opções, os seus respectivos pesos, sua disposição, determinação e emoções. Projetar um futuro distante para aspectos não racionais da vida não irá funcionar na maior parte dos casos.

A interpretação dos obstáculos que enfrentamos pode ser muito variável. Mesmo a forma de encará-los depende de cada um, seja como uma necessidade de provação, a batalha do dia a dia, ou mesmo algo completamente arbitrário e falta de sorte. Muitas vezes aquilo que temos de bom acaba sendo esquecido e só é lembrado quando perdemos. Isto porque o ser humano tem uma tendência a estar sempre insatisfeito com sua situação, e passa a querer algo mais para preenchê-lo. Na visão de terceiros sua vida pode parecer perfeita, mas ainda assim a pessoa tende a procurar por aspectos cada vez mais ínfimos para incomodá-la ao invés de simplesmente assumir e vivenciar a plenitude. Deve-se tentar descartar os sentimentos ruins o mais breve possivel para minimizar sua auto destruição interna e afastamento da felicidade.

Se prestarmos atenção no que está ao nosso redor iremos perceber que várias opções e perspectivas de vida sempre nos são apresentadas. Mas cabe a nós fazermos a nossa parte e decidirmos o caminho, e desvios. Em momentos quando tudo parecer perdido sempre surgirá uma mão para te reerguer. Para tal precisamos dar oportunidade para que nossos instintos e sensibilidade fluam livremente, caso contrário iremos sempre acabar fechados e torturados por nós mesmos em prisões psicológicas.

Quando na sua frente surgir uma luz brilhante que recarregue suas energias e te de motivos para prosseguir não deixe que ela se apague. Mantenha-a sempre viva bem próxima de você.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Despertar



As horas passam, com elas os dias, os meses, os anos, a vida... E depois, haverá uma segunda vida ? Uma nova chance ?

Afirmar se haverá uma segunda vida ou não foge do nosso alcance. Mas mesmo que haja, você e o cenário serão outros.

Na conjuntura em que vivemos a tendência é estabelecermos uma rotina que passará a ocupar a maior parte do nosso tempo, e em alguns casos a sua totalidade. Assim o tempo passa e o indivíduo nem sente. As vezes para e nota que o passado parece estar muito próximo do presente. Isso significa que poucas experiências relevantes foram vivenciadas de verdade neste intervalo de tempo.

Os dias estavam passando, um após o outro. Pequenas turbulências sempre surgiam para quebrar a rotina. Mas um dia até essas turbulências passaram a fazer parte da rotina. E o tempo continuou a correr. O contexto em que a pessoa vive a faz acreditar que aquela é a sua realidade, e acaba se convencendo ou conformando que assim será talvez até para sempre. Para tal ela começa a procurar os aspectos positivos da sua vida atual, e neles se ancora para justificar a sua escolha.

Um dia ou outro o nosso inconsciente fala um pouco mais alto e nos pergunta: Estamos realmente felizes ? A nossa vida continua vibrante e cheia de emoções ? O nosso coração continua batendo forte ? Quantos % do tempo sentimos que estamos vivos intensamente ?

Mas ainda assim continuamos no nosso dia a dia. E o tempo continua a passar...

Era um dia como outro qualquer quando tudo aconteceu. De repente me vi no meio de uma explosão. Tentei proteger a mim e à minha vida com tudo que pude, mas dessa vez não consegui reparar todos os danos. Minha vida continuou, mas minha mente não. A explosão me fez despertar para um novo mundo. Depois disso nada mais poderia voltar a ser como antes. Tudo mudou de cor. O branco ficou mais branco, o preto mais preto, e as cores mais vivas.

De repente passam a surgir opções, novos caminhos e perspectivas. Mas acima de tudo o importante é sentir-se vivo, a cada dia, emocionar-se, permitir que a nossa mente esteja sempre aberta de forma a absorver as experiências e emoções que surgirem, sem medo. Sejam politicamente corretas ou incorretas, não importa. O que mais vale é apenas viver e ser feliz, a qualquer custo. Diversas situações passarão diante de nós. O universo sempre irá conspirar em nosso favor trazendo aquilo que realmente desejamos. Então muitas coisas que estão marcadas dentro de nós mais cedo ou mais tarde poderão aparecer em nossas vidas.

Neste momento não podemos simplesmente deixar passar e nos sufocarmos.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Montanha Russa



Amanheceu. Ainda com os olhos meio turvos abri a janela. Escassos raios de sol me mostram as primeiras imagens do dia que está prestes a começar.

Alegria, tristeza, disposição, cansaço, indefinições, perspectiva de novos presentes ou futuros. Uma mistura de sentimentos e emoções tomam conta do meu universo.

A mente gira. As ocupações do início daquela manhã me fazem entrar em piloto automático, mas a ansiedade pelo futuro próximo balança a minha serenidade e auto controle. No meio da alegria surgem momentos de tristeza. Mas a tristeza não é suficiente para manter-se ativa por muito tempo e logo devanece. Tudo isso não mais importa. A energia positiva supera tais obstáculos e me coloca de pé pronto para prosseguir.

Diante de tudo isso percebo que é necessário desconectar-me destes excessos para poder visualizar o que está para vir de forma mais límpida, desprezendo ao máximo o que não interessa e absorvendo com intensidade aquilo que elevar minha alma.

Cada pessoa tem sua energia vital. Ninguém pode ser julgado como bom ou mau em absuluto. Todos temos aspectos positivos e negativos mas que são amplificados ou atenuados dependendo da forma de interação. Um modo mais puro de viver é entrar em sintonia apenas com aquilo de bom que a pessoa puder te passar. Assim sua relação com o mundo se tornará muito mais feliz.

E o tempo passou...

No meio de um universo confuso, um labirinto de idéias, fui navegando. Tentando me desviar dos obstáculos com cuidado, mantendo a nave com o máximo de íntegridade, e mínimo de avarias. Ao mesmo tempo enriquecendo minhas idéias e interagindo com novos mundos. Quando tudo parecia estar sob controle surge uma estrela.

Aquela luz radiante faz com que toda a escuridão do universo torne-se um céu azul. Obstáculos começam a desintegrar-se, e o movimento passa a ser de forma mais intensa, turbulenta e acelerada. Depois de receber toda aquela energia nada mais poderá ser como antes, tudo mudará para sempre.

Mas nem tudo é perfeito mesmo quando tudo parece estar o melhor possível. Ventos bons e ruins estão por todo lado, e estamos sempre sendo submetidos a provas. Enquanto muitos buscam a plenitude, o amor e a paz, algumas pessoas ainda abrem espaço em suas vidas para propagar o desamor, a discórdia, a desunião.

Mas se estamos fortes em espírito não fugimos da luta por um mundo melhor. Por mais complicados que sejam os obstáculos, mesmo que soframos danos de combate a vida deve continuar. Não podemos jamais perder a esperança de alcançarmos nossos objetivos, e uma vida repleta de amor e paz.